No alto da cidade, pisando em um piso construído distante do asfalto, pra ver a vista de cima, algumas luzes, alguns carros, algum movimento, aqui estou. Esse vento soprando na cara me tras um pouco de liberdade, insônia, mas ele liberta meus espíritos, sabe... as vezes é necessário.
Fico olhando aquele caos lá baixo, e não tenho vontade de voltar.
Não tenho mais um rosto simpático, nem a expressão feliz que tinha quando cheguei, mas aqui eu me sinto melhor. Nessa beira sou eu e meu coração, apenas. Desses tantos metros do chão, sinto que sou capaz de fazer desaparecer qual quer angustia que me aflinga, eu sou mais forte que o medo, tenho ideal de vencer, eu estou livre, sem paredes, sem lembranças.
Na redoma que eu vivo aí em baixo, o Mestre das cartas joga rápido, sem dó, vejo os loucos enlouquecerem cada vez mais, assim como eu, sem chances. Eu obervo como cada jogador faz as suas estratégias, eles mal sabem que o mestre já as conhece.
Estou mantendo a calma, escondo meu jogo, mas algo me diz que preciso me apressar.
O jogo é muito cruel e ouço me chamarem pra guerra, lá fora o mundo é dos espertos, eu não tenho planos, e também não tenho pressa...
Vejo olhares desconfiados, apressados.
As vezes eu queria poder voar, ter o dom dos pássaros, Deus foi generoso. Como será que seria viver num universo onde a realidade nunca será essa daqui? Saber que cada dia terei de construir um novo rumo, um novo destino, me apaixonar de novo, ter novos sonhos...
Não precisa temer o pior, eu sei que já me esqueceu, nem quero que olhe aqui pra cima, nem que imagine que vou voltar... logo vou me retirar, e se cruzar com meu olhar, pode desviar, vai sentir medo do que vai encontrar. Só queria que entendesse de uma vez por todas e uma guerra está sendo travada, a cada dia, de aliados ou inimigos montros, eles são gigantes!
Me machuca a cada lembrança sua. Luto contra cicatrizes profundas que ainda sangram, eu só tento curar com impaciência. O problema disso tudo é o orgulho...
O maior castigo é sentir o gosto amargo que desce na garganta. Lágrimas quando descem, caem pesadas... gotas salgadas desmoronam até a boca...evito senti-las, me recuso.
Acontece que existem tantas contradições... lembro das suas palavras, sem pé nem cabeça, sem se importar como seriamos dali pra frente, ilusão.
Me seguro pra não gritar de tanta agonia, pra não correr de angústia, pra calar esses pensamentos isolados e inquietos, que parecem ultrapassarem o limite da capacidade do cerébro, um mais intenso que o outro,
infernal. Eu ouço histórias, conversas, sonhos, barulho como aquele estridente do telefone batendo no gancho, memórias ruins, difícil tolerar.
Sinto seu coração chorar... Sei que mente por fora, e seu pedido de socorro não é atendido por seus amigos, e nada será amenizado com mais mentiras.
No fundo a alma clama por amor, clama por ti, um martírio a cada redenção, no fim acabamos desistindo...Em seguida juramos não nos deperar com decepções. Mas o amor existe em algum lugar dessa cidade, só não sei o quanto mais posso esperar, mas sabes aonde me encontrar.
Vou-me deitar, depois eu durmo, assim que eu te esquecer essa noite. O sol está pra nascer, não tenho pressa, eu já disse, vou tentar acordar tarde, mesmo que em meio a claridade, será melhor do que estar aí em baixo hoje...é tempo de escrever uma nova história!
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